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Estimulante sexual vendido por ex-sem-teto não tem aval da Anvisa

Estimulante sexual que leva o nome "Pau de Mendingo" apresenta ex-sem-teto como garoto-propaganda, mas não tem registro na agência reguladora

O ex-sem-teto Givaldo Alves, que ficou famoso por ter mantido relações sexuais com uma mulher em surto psicótico e ter sido espancado pelo marido dela, está envolvido em nova polêmica. Após anunciar candidatura a deputado sem ter partido, ir a camarotes no carnaval e ter a ficha criminal exposta, Givaldo agora se apresenta como garoto-propaganda de um estimulante sexual chamado “Pau de Mendigo”, com promessas mirabolantes e informações falsas no site de vendas. Para piorar: o produto não é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que abriu investigação sobre a comercialização.

Em suas redes sociais, o ex-sem-teto divulgou o produto com chamadas de “sucesso de vendas” e garantias. “O Pau de Mendigo é liberado e aprovado pela Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa)”, diz o site de publicidade do produto. A primeira postagem-propaganda foi feita em 11 de junho, em vídeo com edições e filmagem profissionais. O anúncio foi reforçado no último dia 17.

Além disso, inicialmente o site trazia declarações atribuídas a supostos usuários, nas quais afirmavam que o produto funciona e garante “aumento peniano”, “controle da ejaculação”, “aumento da libido”, “melhora na confiança sexual”, “mais energia e disposição nas noites de prazer”.

De acordo com o portal Metrópoles, os comentários também eram falsos. Os perfis que emitem as declarações eram os mesmos usados em outros sites de estimulantes sexuais. As mesmas fotos, mas comentários e nomes fictícios. Quase um Ctrl C + Ctrl V. A reportagem registrou as informações, que posteriormente foram retiradas do portal.

O Metrópoles entrou em contato com a Anvisa para verificar se a RDC nº 240, de 26 de julho de 2018 – que, segundo o site do “Pau de Mendigo”, asseguraria a aprovação do produto –, é válida ou considerada nesse caso. O site alega que isso dispensaria o registro sobre o estimulante sexual. A agência negou.
Em nota, a Anvisa esclareceu que “a dispensa de registro prevista pela RDC nº 240/2018 não se aplica a esse produto. Verifica-se que o produto faz alegações terapêuticas (como, por exemplo, efeitos sobre a disfunção erétil) e, portanto, é obrigatório o enquadramento como medicamento, conforme o art. 4º da Lei nº 5.991/1973”.

Empresa
Por trás do site do produto, está a empresa AEG Produtos Naturais, cujo nome fantasia é Guimagran, com sede em Governador Valadares, Minas Gerais, e capital social de R$ 350 mil. A reportagem simulou uma compra, e o boleto confirma que a empresa vendedora é a Guimagran.

Estimulante sexual ‘Pau de mendigo’ tem venda e fabricação suspensas

Contrato foi assinado dias antes de o EM revelar histórico do ‘Mendigo de Planaltina’. Anvisa investiga o produto, fabricado por empresa de Valadares

 

Givaldo segurando um frasco do estimulante sexual 'pau de mendigo'
O estimulante foi “inspirado” em Givaldo Alves, de 48 anos, que virou celebridade após ser flagrado fazendo sexo com uma mulher, no Distrito Federal (foto: Divulgação)

Lançado há duas semanas, o estimulante sexual “Pau de mendigo”, que tinha como garoto-propaganda o ex-sem-teto Givaldo Alves, teve a fabricação e venda suspensos.

A comercialização do produto está sob investigação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por não possuir registro no órgão. A empresa fabricante, a AeG Produtos Naturais LTDA, com sede em Governador Valadares (MG), também não possui autorização de funcionamento.

Em nota, a Anvisa confirmou ao Estado de Minas que o estimulante sexual não consta no banco de dados da agência e que a empresa também não tem autorização para comercializar o produto.

“Foi aberto dossiê de investigação pela Agência para a investigação da prática de infrações sanitárias, nos termos do Inciso IV, do Art. 10 da Lei 6.437/77, pela venda de medicamento sem registro, por pessoa/empresa sem licença ou autorização do órgão sanitário”, informou a Anvisa.

Em meio à investigação, a AeG retirou do site a venda do estimulante sexual, que prometia resultados mirabolantes e duvidosos. Na página, aparece agora um comunicado informando que a empresa desistiu do lançamento.

“O produto pau de mendigo nem se quer (sic) teve sua produção iniciada e nem vendas pelas empresas parceiras, e mesmo se tivessem reafirmamos que o produto pau de mendigo é isento de registro na Anvisa conforme o RDC 18/2020, sendo apenas comunicado a inteção (sic) de produção”, informa trecho da mensagem.

A Anvisa,  no entanto, desmentiu a informação. Segundo a agência, a dispensa de registro não se aplica a esse tipo de produto, que deve ser enquadrado no rol de medicamentos. “Verifica-se que o produto faz alegações terapêuticas (como, por exemplo, efeitos sobre a disfunção erétil) e, portanto, é obrigatório o enquadramento como medicamento conforme Art. 4 da Lei 5.991/1973”, explica o órgão.

DA FAMA AO CANCELAMENTO

O estimulante foi “inspirado” em Givaldo Alves, de 48 anos, que virou celebridade após ser flagrado fazendo sexo com uma mulher, no Distrito Federal, em março de 2022. Depois do episódio, o ‘mendigo de Planaltina’, como Givaldo ficou conhecido, passou a frequentar boates, onde posava para foto cercado de mulheres, e foi elevado ao posto de ícone sexual pelos milhares de seguidores que ganhou nas redes sociais.

E foi nessa fama de pegador do “mendigão”, apelido que o próprio Givaldo se apresenta para seus seguidores, que a  AeG Produtos Naturais Ltda resolveu apostar.

Em 17 de abril, 33 dias antes de o Estado de Minas revelar que o “Mendigo de Planaltina” tinha sido preso em 2004 por extorsão mediante sequestro, a empresa fechou um contrato de publicidade. O documento garantia direito a uso exclusivo da imagem do influenciador digital para os produtos ‘’Pau de Mendigo’’, ‘’Arte de Sedução do Mendigo’’, Super Mendigo Gel e similares. O EM teve acesso ao documento, que detalha a negociação.

O contrato foi registrado em Belo Horizonte, em 19 de abril de 2022. Aparece como contratante empresa fabricante a AeG Produtos Naturais LTDA, representada por três empresários de BH.

‘ARTE DE SEDUÇÃO DO MENDIGO’


Givaldo recebeu R$ 30 mil para ser o garoto-propaganda da linha de produtos cancelados antes mesmo do lançamento. NesSe valor estavam inclusos a gravação de vídeos e fotos publicitários, de acordo com a necessidade da contratante. O valor foi dividido em três vezes, respeitando as etapas da concretização do negócio.

O cronograma apresentado no documento diz que a primeira parcela, de R$ 10 mil, foi paga na assinatura do contrato. A segunda prestação, também de R$ 10 mil, seria paga em 21 de abril, “um dia antes do lançamento de um dos produtos (Pau de Mendigo)”, como descreve o contrato.

A última seria quitada em 28 de abril, “um dia antes do lançamento do produto digital (Arte de Sedução do Mendigo)”. O acordo ainda definia mais 30% de comissão por cada venda gerada nas plataformas digitais de comércio.

ATRASO NO LANÇAMENTO  DO ‘PAU DE MENDIGO’

Fotos de Givaldo com aparências diferentes
O Estado de Minas teve acesso a dois processos criminais que revelam uma parte da história de Givaldo que não aparece nas entrevistas (foto: Divulgação/redes sociais)

O cronograma de lançamento dos produtos atrasou. Em 11 de junho, quando o ‘Pau de mendigo’ foi lançado, a fama de Givaldo já era outra. Em 20 de maio, o EM revelou que o homem tem passagem pela polícia de São Paulo e chegou a ficar preso por oito anos.

Givaldo foi preso em flagrante em 2004 por participar de um sequestro que teve um bebê amordaçado. A informação ganhou repercussão nacional. Ele cumpriu pena em regime fechado até 2013, quando conseguiu uma revisão criminal, com redução de pena, e foi solto.

GIVALDO: “EU DESISTI”

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram em 26 de maio, Givaldo aparece chorando e diz que sofre perseguição da “mídia” e que “desistiu”, sem especificar exatamente se é da carreira de influenciador digital ou do posto de garoto-propaganda do estimulante sexual. “Não aguentei a pressão, as falsas acusações, a difamação, a calúnia, a maldade, a perversidade. Nem na rua me sentia tão perseguido”, disse.
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Fonte
o liberal

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